TPM, as três letras que todos odeiam

Uma das maiores vilãs das alterações menstruais tem nome e sigla.
Chama-se tensão pré-menstrual.

Raríssimas são as mulheres que nunca viveram uma montanha russa emocional, dores de cabeça e nos seios, algum discreto ganho de peso, fadiga. Isso, muitas vezes, afeta diretamente as relações interpessoais, por acontecer de forma involuntária, quase incontrolável. É uma alteração que pode ocorrer logo na puberdade ou em mulheres com histórico familiar, como em casos de depressão pós-parto, e até mesmo após a interrupção do uso de anticoncepcional hormonal.

A medicina tradicional chinesa enxerga a tensão pré-menstrual como uma síndrome relativamente simples de ser tratada. Para entender melhor, é preciso que se conheçam as causas de sua existência, duas na verdade, completamente diferentes do ponto de vista ocidental:

  • Estagnação do Qi (energia) e do Xue (sangue) do fígado.
  • Deficiência do yang do rim e do yang baço-pâncreas (os chineses consideram o baço e o pâncreas uma só estrutura).

Mas o que essa estrutura tem a ver com a menstruação e, consequentemente, com a tensão pré-menstrual? Tudo! Sem o eixo formado por esses órgãos, seria impossível ocorrer a reprodução feminina. Por quê? Porque, pela medicina tradicional chinesa, o fígado nutre o útero por meio do meridiano Chong Mai e ainda tem a função de manter o livre fluxo do Qi (energia) e das emoções. Além disso, é o responsável por armazenar e liberar o Xue (sangue) de acordo com a necessidade orgânica. Daí, o fato de a menstruação poder vir com coágulos.

Já o rim é importantíssimo devido a sua função de reprodução e desenvolvimento do ser humano, além de armazenar o Jing (essência), que ajuda na fase final da formação do Xue (sangue). O Jing (essência) é uma estrutura totalmente diferente do sangue menstrual, mas que funciona em conjunto com o Xue (sangue) e o Qi (energia). Se um dos três estiver estagnado ou em deficiência, isso afetará as três estruturas, podendo causar sintomas como infertilidade, cólicas e sinais, dentre os quais alterações dos ciclos menstruais.

O baço-pâncreas é o responsável por extrair o Qi (energia) dos alimentos, que é a matéria básica para produzir o Xue (sangue) no coração, com o auxílio do Qi original e o Jing (essência), essas de responsabilidade do rim, como dito anteriormente.

O tratamento com a medicina tradicional chinesa consiste em eliminar a estagnação do Qi (energia) do fígado, tonificar o yang do rim e do baço-pâncreas, fazendo com que o Qi (energia) e o Xue (sangue) possam fluir de uma forma mais harmônica.

A medicina tradicional chinesa pode ajudar de diversas formas, não só com a acupuntura, mas, também, com a meditação, além da necessidade de mudança de hábitos alimentares (de antemão, evitar os doces, gorduras e sal em excesso) e atividade física moderada, uma vez que o sedentarismo favorece a estagnação  do Qi (energia)  do fígado (olha de onde vem a montanha russa emocional…)

Aguardem por mais medicina tradicional chinesa na próxima quinzena! Até lá!

André Jaña – Diretor da clínica Long Life Fisioterapia e Acupuntura
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