Sono, cadê você?

A definição da medicina ocidental para a insônia: dificuldade de iniciar e/ou manter o sono, presença de sono não reparador, ou seja, insuficiente para manter uma boa qualidade de alerta e bem-estar físico e mental durante o dia, com o comprometimento consequente do desempenho nas atividades diurnas. Percebemos que muitos de nós simplesmente não conseguem realizar a prazerosa atividade de dormir, devido às preocupações do dia a dia, à agitação excessiva ou à ideia de que dormir é  perda de tempo.

Pela medicina tradicional chinesa, a capacidade de dormir pertence ao yin. Isso quer dizer que, quando uma pessoa não consegue dormir ou dorme pouco, existe falta de equilíbrio entre o yin e o yang, e o yang manifesta-se em excesso. O responsável por esse equilíbrio energético entre o yin e o yang é o rim, e os atores desencadeantes para essa desarmonia são principalmente o estresse e a qualidade da alimentação, que na maior parte das vezes tendem a levar a uma deficiência do yin, fazendo com que as manifestações do yang fiquem mais evidentes.

No entanto, nem sempre o vilão causador da insônia é o rim. O yang pode ser proveniente de uma produção excessiva do fígado ou, conforme dito nos livros, uma vez que o sono é visto como expressão das necessidades do espírito, quando o coração entra em desequilíbrio, esse espírito não fica suficientemente nutrido e a insônia se manifesta.

A verdade é que, tanto nos casos de excesso quanto nos de deficiência, o Xue (sangue) e o Jing (essência) serão afetados. Eles são justamente a matéria básica para a formação da mente. Quando a mente não tem uma “morada”, surge a insônia.

A qualidade e duração do sono dependem da alma etérea, que é de responsabilidade do fígado. Se ela for enraizada, o sono será normal, com boa profundidade e sem sonhos excessivos. Se houver um quadro de deficiência do Xue (sangue) ou do yin do fígado, o sono será agitado, causando inquietude e sonhos fatigantes.

Os principais fatores desencadeantes de tantas desarmonias energéticas são bem conhecidos por fazerem, muitas vezes, parte do nosso cotidiano. São eles: trabalho mental exagerado, trabalhos de longa duração com pouco repouso, estresse intenso e alimentação irregular.

Energeticamente, pela medicina tradicional chinesa, o coração é o responsável pela mente. Por isso ele é o órgão mais acometido nos pacientes portadores da insônia, e vai precisar sempre ser tratado.

Mas como isso tudo pode ser tratado? A acupuntura, a auriculoterapia e a craniopuntura têm sido amplamente utilizadas para o tratamento da insônia. Se você tem medo das agulhas, não precisa ficar de fora do tratamento feito pela medicina tradicional chinesa! O shiatsu também se enquadra como recurso terapêutico.

E a atividade física e a mudança de hábitos alimentares tornam-se aliados indispensáveis para um tratamento mais completo.

Até a próxima quinzena, com mais medicina tradicional chinesa!

André Jaña – Diretor da clínica Long Life Fisioterapia e Acupuntura
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