Por trás da insônia

insonia

Na medicina chinesa, os órgãos têm grande responsabilidade sobre diversas funções orgânicas, dentre elas o nosso padrão de sono. Isso significa que cada órgão influencia o sono de forma diferenciada. Como somos grandemente influenciados pelas nossas emoções, e essas emoções afetam diretamente os órgãos, as diferentes alterações emocionas provocam distintas alterações no sono.

Vamos ver na prática como isso funciona:

O coração rege a alegria. Quando ele está forte, sentimo-nos bem dispostos e otimistas. Temos uma “alegria essencial” que nos leva a realizar as nossas atividades com entusiasmo e satisfação. Quando o coração se desequilibra e “sobe” mais do que o normal, sentimos agitação e ansiedade. Queremos que tudo aconteça para ontem e não temos paciência para esperar que as coisas ocorram a seu tempo. Com isso aparecem alterações de sono, as quais vão desde um sono inquieto, com muitos sonhos que dificultam o aprofundamento do sono,  fazendo com que acordemos muito cansados; até o aparecimento de uma “insônia terminal”, em que é comum acordar às 5 horas e não  conseguir dormir mais. Por isso é que é muito comum pessoas hipertensas terem o hábito de acordar por volta desse horário. O que elas desconhecem é que não é apenas um hábito, mas um sintoma do desequilíbrio do coração.

O baço rege o pensamento e a preocupação. Desequilíbrios nesse órgão levam a um sono muito superficial, fazendo com que fiquemos “fritando na cama”. Dormimos e acordamos diversas vezes, da mesma forma quando vamos dormir com uma grande preocupação na cabeça e temos a sensação de que insonianão conseguimos dormir por toda a noite.

A emoção do pulmão é a tristeza. Quando estamos tristes e deprimidos (sentimentos relacionados à deficiência do pulmão), é comum termos vontade de  dormir o dia inteiro, como uma fuga. Nos distúrbios do pulmão (independentemente de se estar ou não triste ou deprimido),  sente-se sono durante todo o dia. Aqui,  acontece o oposto da insônia: a hipersonia. Nesse caso, o sono excessivo é apenas um sintoma da deficiência do órgão.

A emoção do rim é o medo e não se sente sono quando se  está  com medo. Aqui, acontece  a chamada insônia verdadeira.  A insônia verdadeira é aquela em que a pessoa literalmente não dorme… nem um pouco! Nesse tipo de insônia, a pessoa dificilmente fica na cama, costumando ter uma farta vida noturna. Essa deficiência de rim pode acontecer por diversos motivos, sempre relacionados a medos e inseguranças, e pode trazer ainda sintomas como rigidez lombar, falta de libido e sensação de “frio interno”.

Já o fígado, a  emoção que o afeta é a raiva. Nos desequilíbrios de fígado, costumamos demorar a pegar no sono, sofrendo de uma “insônia inicial”. É como se tivéssemos primeiro que nos acalmar para, depois, conseguir dormir.

A insônia relacionada ao fígado se apresenta de duas formas distintas. Se a pessoa vai para a cama tarde (depois das 23 horas), só conseguirá dormir entre  1 e 3 horas da manhã (insônia inicial).  A outra forma é aquela em que a pessoa vai para a cama cedo (por volta das 21 ou 22 horas) e consegue até dormir rápido, mas, quando chega no horário entre 1 e 3 horas da manhã, acorda completamente sem sono, só conseguindo voltar a dormir depois das 3 horas.

De todos os tipos de insônia, esse é o padrão mais comum de se encontrar, em função do ritmo acelerado do dia a dia e do hábito de se consumir bebidas alcoólicas à noite, que fazem com que a energia do fígado se desequilibre.sono tranquilo

Como vimos, um sono tranquilo depende de se estar saudável e equilibrado e compreender que as alterações do sono nos ajudam a melhor entender a nossa saúde.

Quando temos por objetivo de vida a busca da felicidade, passamos a adotar um estilo de vida e um posicionamento mental que nos deixam mais equilibrados e saudáveis, possibilitando-nos vivenciar o “sono dos anjos”.

Alex da Silva Santos – Diretor do Centro Brasileiro de Acupuntura
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