Shantala, a massagem além do toque

“Sim, os bebês têm necessidade de leite, mas muito mais de serem amados e receberem carinho. Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados” (Frédérick Leboyler)

Imagem / Fonte: A crítica.

Toques e movimento suaves ‒ basicamente o amassar, o deslizar e o tornear ‒ que resultam em  benefícios para a saúde e o bem-estar do bebê, mais o aumento da interação entre mamãe e rebento. Eis, bem resumidamente, o que é a Shantala, massagem indiana milenar introduzida no Ocidente pelo médico obstetra francês Frédérick Lebolyer e que chegou ao Brasil por meio da professora de yoga Maria de Lourdes da Silva Teixeira, a Fadynha, em 1978.

Oriunda da Medicina Ayurveda, com seis mil anos de existência, a Shantala é voltada para bebês a partir de um mês de vida (nada impede que seja ministrada em crianças e adultos). Na Índia ela não tem um nome especial, sendo uma prática que faz parte do quotidiano das mães. O nome no Ocidente é uma homenagem à mãe indiana observada e fotografada por Lebolyer  na condução da massagem em seu filhinho. (Bom acrescentar que o médico francês estava longe de ser um simples curioso.  Nos anos 1960, já era um profissional em busca da humanização da assistência à mulher no parto.)

Por que a Shantala tanto se propalou entre pais e profissionais da saúde no Ocidente?

Desde o livro Shantala, massagem para bêbês: uma arte tradicional, escrito por Lebolyer em 1976, a massagem vem angariando, a cada dia, mais adeptos e mais pesquisas científicas com o intuito de comprovar seus benefícios. Contudo, acrescente-se que os objetivos do método  ultrapassam pura e simplesmente o zelo para com a saúde física do bebê. Lembremos que é uma prática advinda da Ayurveda, que tem uma visão holística do ser humano. Assim, ela promove também o desenvolvimento da afetividade, o estreitamento de laços, para com a pequena criança ‒ e não apenas por parte da mãe, mas por toda a família, uma vez que é ensinada aos demais membros. A Shantala também promove um ambiente seguro para a criança semelhante àquele usufruído no útero materno.

As vantagens proporcionadas pela Shantala são inúmeras. Vale uma pesquisada no tio Google para se inteirarem melhor. Há vários artigos sobre o assunto. Entre elas: fortalecimento do vínculo entre cuidador e bebê; relaxamento e bem-estar; sono mais tranquilo; alívio das cólicas e diminuição de gases; melhora na digestão e na circulação; redução da ansiedade e irritabilidade; pele tonificada e hidratada; estímulo do crescimento do bebê; menos choro e mais tranquilidade; melhora o desenvolvimento psicomotor; integração de corpo e mente; delimita o espaço interno (limites do Eu); mais amor e afetividade.

Imagem / Fonte: Notícias de Coimbra.

É preciso atentar também para os cuidados requeridos para a  realização da Shantala. Ela não deve ser ministrada no primeiro mês de vida do neném (existem algumas variações da massagem utilizadas para bebês nessa fase, como o “Baby Touch”, desenvolvido pela professora de yoga Sheila Quinttaneiro, em que os toques suaves são realizados com a ponta do indicador e palma da mão). Também está fora de cogitação se ele estiver cansado ou com fome. O ideal é uma hora após a refeição ou mamada. Dores, febre, gripe e cólicas contraindicam a massagem da mesma forma que erupções, machucados ou infecção de pele e, ainda, problemas nas articulações, ossos frágeis ou fraturas.  Se o seu bebê não estiver predisposto para a massagem, chorando ou irritado, ou se estiver dormindo,  não force a barra, não o acorde. Deixe para outro momento. E, por último, e creio que óbvio, esqueça a massagem se ele estiver de alguma forma desconfortável ou doente.

Como praticar

A partir dos 30 dias, a criança já se sente mais confortável para receber a massagem, que é composta de 19 exercícios, cada qual com um benefício diferente. A mãe pode colocar o neném deitado sobre suas pernas esticadas para frente, também sobre a banheirinha (com tampa reta para trocar a fralda) ou mesmo em um colchonete, no chão. O importante é ambos se sentirem confortáveis. O ideal é que seja  praticada em local fechado, sem vento, antes ou depois do banho. Quando a criança estiver maior, é possível fazer em áreas abertas, no tempo do calor, como jardins, parques e varandas.  Neste caso, nada de sol fora do horário adequado. Mais uma coisa: a criança deve estar totalmente despida. Seria bom conversar com ela, especialmente pelo olhar, pois o silêncio ajuda na concentração. Os movimentos, lentos e ritmados, devem ser repetidos, cada um deles, de quatro a cinco vezes.

Como podem perceber, a Shantala faz parte de uma medicina integrativa (ou holística). Beneficia o bebê especialmente, mas também ajuda os pais (avós, cuidadores etc). Atua tanto física quanto emocionalmente. Enfim, seu intuito maior é que o bebê se desenvolva de forma mais saudável e feliz por meio do vínculo com seus pais.

Simone Abreu ‒ Historiadora e jornalista. Administradora do site Rio Fique Ligado.
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