Obesidade mórbida infantil

Fonte: Varela Notícias


A obesidade mórbida infantil é uma doença que afeta milhares de crianças em todo o mundo. Já é considerada uma epidemia global e combatê-la é um dos principais desafios do século XXI pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Mais de dois terços dessas crianças se tornarão adultos obesos e terão sua expectativa de vida reduzida.

 

A obesidade pode afetar a saúde da criança de diversas formas. Depressão e problemas com a autoestima são frequentes em crianças obesas, podendo dificultar seu relacionamento social. A obesidade também pode diminuir o potencial de aprendizado infantil. Estudos mostram que crianças obesas apresentam uma tendência maior para desenvolver problemas psiquiátricos quando comparadas a crianças não obesas.

 

Esse excesso de gordura corporal total nas crianças e os depósitos localizados de gordura estão associados ao desenvolvimento precoce de várias doenças degenerativas crônicas, tais como aterosclerose, doenças coronarianas, hipertensão e diabetes mellitus. 

 

Pesquisas relatam que essas crianças desenvolvem alterações ateroscleróticas nas artérias coronarianas ainda durante a infância. Crianças de 10 anos de idade, portadoras de obesidade mórbida, possuem artérias de pessoas de 45 anos de idade e outras anomalias cardíacas que aumentam muito as chances de doença cardíaca. Em alguns casos, essas alterações podem evoluir para lesões obstrutivas, angina e infarto em poucas décadas. 

 

Desordens ortopédicas também são comuns. Acontecem pela associação de vários fatores, dentre os quais aumento da sobrecarga articular em conjunto com uma estrutura esquelética ainda em formação, diminuindo a estabilidade postural; aumento do gasto energético para realizar as atividades habituais, gerando dor, e até degenerações precoces do sistema musculoesquelético. Esses fatores podem levar a criança a dificuldades de locomoção. 

 

A obesidade infantil pode ter varias causas, e de longe o fator mais comumente envolvido é o nutricional, ou seja, péssimos hábitos alimentares.

 

O fator psicológico também é muito comum, pois crianças ansiosas acabam comendo mais. Dentre outras causas, o sedentarismo, alterações hormonais, causas genéticas e o uso prolongado de medicamentos, a exemplo dos corticoides, podem provocar o aumento de peso.

 

Ao contrário do que pode parecer para os pais, crianças “cheinhas” nem sempre são saudáveis, e na maioria dos casos não são. A obesidade infantil não é benigna na criança, no adolescente ou em qualquer outra época da vida, e pode gerar risco de morte. Ela precisa ser tratada.

 

A criança obesa precisa ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar, ou seja, por vários profissionais de diversas áreas ― tais como médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas ― para um melhor resultado em seu tratamento.


Se você acha que seu filho está acima do peso, procure a ajuda de um profissional habilitado, pois um diagnóstico precoce evita muitas das complicações que essa doença pode causar na criança.


Karine Almirão Ferreira — CRN 4-15100909
Formada em nutrição e fisioterapia, tem especialização em acupuntura e dermatologia funcional. É mestranda em nutrição e dietética.
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br. Instagram: @karinealmirao.