Count

O que é o tantra?

Para entender um pouco mais sobre esse caminho, podemos começar pelas duas descrições da palavra tantra, originárias do sânscrito. A primeira delas é composta da fusão das palavras tanoti (= expandir), e trayati (= liberar)  e significa  expandir e liberar a consciência, o espírito e a energia potencial física, mental, emocional e espiritual do ser humano.

A segunda quer dizer teia (como a teia da aranha), tecido, rede, trama, e traz a ideia de fios entrelaçados que, unidos, formam um sistema. Em outras palavras, é a representação de que todas as coisas do universo estão conectadas, entrelaçadas, formando a união íntima de todas elas. Trata-se de um conceito antigo e, ao mesmo tempo, contemporâneo, pelo fato de estar de acordo com as teorias mais atuais da física quântica, as quais defendem a integração e interligação entre todos os seres por uma substância não amorfa que está presente em tudo e que conecta tudo como uma grande teia. Tal substância já teve vários nomes ao longo da história, como “éter”, é chamada, atualmente, de “vácuo quântico” ou “matriz divina”.

A origem geográfica do tantra é desconhecida, apesar de ter formado as bases de várias civilizações, nas quais encontramos vestígios importantes. Como exemplo, temos as culturas pré-colombianas, egípcia, europeia, africana, australiana e, principalmente, asiática, especialmente na Índia, onde esses ensinamentos estão compilados de uma maneira mais linear, útil e prática, em termos de aprimoramento e desenvolvimento integral do ser humano. Encontramos a filosofia tântrica em textos específicos, também denominados Tantras, e em muitos textos antigos, como os Puranas.

Os antigos mestres tântricos de Índia, China, Japão, Tibete, Mongólia, dentre outros, possuíam uma sabedoria que foi além de suas raízes e culturas e, também, além do tempo, inspirando o mundo com seus ensinamentos, contra todas as tentativas dos poderes políticos e religiosos antigos e atuais para abafá-los. Para manipular uma sociedade, é necessário que exista o medo e a culpa, e uma das formas de conseguir isso é através da repressão sexual. Como um contraponto, o tantra traz a consciência que conduz à liberdade.

Algumas das características do tantra são: a matriarcalidade, a sensorialidade, o naturalismo e a desrepressão.

É importante esclarecer que a visão sobre o tantra foi distorcida e, algumas vezes, aparece associada a sexo fácil e a orgia em nome da iluminação. O tantra tem práticas de natureza sexual, mas isso é apenas um dos seus vários aspectos. No tantra, os ensinamentos práticos têm como objetivo a evolução espiritual, o despertar e o libertar a kundalini, que é emanação do Infinito, da energia cósmica e criativa que vibra dentro de cada ser humano.

O foco é transformar como enxergamos a realidade através de práticas que podem utilizar aquilo que nos desperta emoções, memórias e sensações muito fortes, e que permitem ir além da mente, possibilitando vivências espirituais muito especiais, assim como, igualmente, a retomada do prazer com o corpo, a exploração consciente e positiva do que nos é sensível. Como o mundo material ou físico é uma manifestação do mundo espiritual, sutil e superior, as experiências vividas nele podem ser usadas como impulso para se avançar para a iluminação. Desta forma, é criado um canal de comunicação com a realidade divina, e o praticante pode estabelecer um contato constante com esse estado alterado de consciência através de suas práticas.

O tantra é uma filosofia de vida que oferece, por meio de meditação, respiração, exercícios físicos, massagens específicas, mudanças de códigos comportamentais, técnicas e métodos, a transformação de cada aspecto de nosso ser, libertando-nos das limitações de crenças distorcidas a respeito do sexo. Possibilita renovar nossa visão a respeito da sexualidade, do amor e da espiritualidade como partes que se complementam, respondendo a uma das grandes perguntas do homem moderno sobre como ter uma vida mais satisfatória e plena.

Estas são apenas algumas características do tantra, não há como conhecê-lo sem vivenciá-lo ou experimentá-lo! Permita-se!

Alexandre Bastos (Shanti Prem) & Cláudia Guilherme (Siari Prem)
Email: editorial@riofiqueligado.com.br
Instagram Alexandre: @alexandrebastosluiz
Instagram Claudia: @claudiaiambe