O amor é lindo!

Imagem / Fonte: Insieme.

Dia dos Namorados… Saída a dois, passeio abraçado, mãos dadas, carinhos, beijos, jantar romântico com um delicioso vinho, um papo gostoso ao pé do ouvido, coração acelerado… Muitos já sabem onde isso tudo pode dar quando duas pessoas se amam e decidem comemorar a data agarradinhos.

Mas tudo isso pode ir por água abaixo por alguns motivos, tais como estresse causado pelo excesso de trabalho, vida amorosa conturbada, uso de determinados medicamentos, ansiedade ou até mesmo uma vida rotineira.

Pela Medicina Tradicional Chinesa, toda essa sensação gostosa tem como alicerce principal o rim.

Quando falamos do rim, pensamos imediatamente em jing (essência), reprodução e essências sexuais (e isso tanto nos homens quanto nas mulheres). Portanto, quando acontece o ato sexual, desde que seja com uma intensidade e frequência moderadas, ocorre uma perda considerada momentânea do jing (essência), que pode ser restaurada. Porém, em caso de excesso de atividade sexual, essa perda é considerada lesiva ao organismo, podendo, inclusive, ser uma porta aberta para sua fraqueza, facilitando a invasão de agentes agressores ao organismo (entende-se como facilitador de doenças).

Uma observação importante a ser feita é a falta de parâmetros para se dizer se há ou não um excesso de atividade sexual. O que às vezes é considerado excesso para uns pode não ser para outros. Quem vai determinar isso é a constituição de cada indivíduo, que vai ser demonstrado no “pós-atividade”, por meio de sinais, como dores lombares, cansaço excessivo e urina frequente, joelhos debilitados, visão turva e desmaio.

É fácil falar do excesso da atividade sexual. Mas e a falta dela, pode ser prejudicial à saúde? Os livros antigos mostram que sim!

Os manuais dizem que tanto a falta da atividade sexual quanto as frustrações sexuais eram grandes causadores do estresse emocional (que é de responsabilidade do coração). E isso tem uma explicação: a expressão “fogo” (que também é de responsabilidade do coração) que é utilizada até hoje quando o assunto é sexo.

No caso dos homens, percebemos como a mente afeta a parte sexual (entende-se como libido), pois o fogo ministro, que é um calor especial gerado pelo coração (o coração é a morada da mente na Medicina Tradicional Chinesa) aquece o salão do esperma. Quando esse fogo for insuficiente, causa alterações, como a impotência e a falta de libido.

Quando existe um apetite sexual considerado saudável, é uma clara demonstração de que o chamado fogo ministro é abundante. À medida que esse “fogo” cresce, o fogo ministro cresce proporcionalmente, assim como o yang qi. Os chineses definem o orgasmo como uma explosão desse yang acumulado. Se não for em excesso, como dito anteriormente, essa liberação é extremamente benéfica ao organismo.

Nas mulheres, quando esse desejo aumenta, o “fogo ministro” fica agitado, afetando a mente (consequentemente também afetando o coração, que, pela Medicina Tradicional Chinesa, é quem abriga a mente) e o pericárdio (que também possui a mesma função). O coração tem conexão direta com o útero e, no caso das mulheres, as contrações geradas pelo orgasmo no útero descarregam o yang qi acumulado.

Porém, quando existe o desejo, mas por algum motivo não acontece o ato em si, esse “fogo” fica acumulado, aquecendo demais o Xue (sangue), causando um calor patológico e estagnação de qi do umbigo para baixo, o que acarreta distúrbios ginecológicos, como, a dismenorreia.

Portanto, nos Dia dos Namorados, comemore com o seu amor, mas com moderação. Não muito, nem pouco…

Até a próxima quinzena!


André Jaña
— Fisioterapeuta com pós-graduadação em Acupuntura e formação em Quiropraxia e Shiatsu. É diretor da clínica Long Life Fisioterapia e Acupuntura, é, entre outros, coordenador do curso de pós-graduação em Acupuntura da Universidade Castelo Branco e coordenador do departamento de Acupuntura da Associação dos Fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro.
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