“Na selva das cidades – Em obras” em cartaz na Caixa Cultural Rio de Janeiro

 Indicada ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo na categoria Inovação, Na selva das cidades – Em obras tem apresentações gratuitas

Imagem: © Renato Mangolin / divulgação

O espetáculo Na selva das cidades — Em obras está em temporada na Caixa Cultural Rio de Janeiro. A montagem  da mundana companhia é baseada em texto do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, e continua bem atual, quase um século depois, ao alinhar exclusão social aos poderes da vida em sociedade.

Dirigido por Cibele Forjaz e indicada ao Prêmio Shell  de Teatro de São Paulo, em 2017, na categoria Inovação, Na selva das cidades — Em obras narra a luta entre dois homens numa metrópole americana. Nas extremidades dessa luta, encontramos dois tipos opostos: um rico comerciante de madeiras malaio versus um pobre balconista que migrou com sua família do campo para a cidade grande. No enredo, não ficam claros os motivos que levam os dois homens ao embate, porém tudo (família, amores, parceiros, amigos, justiça, polícia e negócios) em torno deles vai sendo envolvido até que a narrativa acaba por englobar toda a cidade.

Interessa aos criadores a transitoriedade: a cada nova ocupação, tudo se transforma em função da relação com o espaço ocupado, sua história, economia, política e as várias relações sociais implicadas no trabalho, a cada momento. Dessa forma, o cenário propõe sempre uma nova intervenção, com novas configurações de luz, vídeo, figurinos e objetos de cena. O trabalho dos atores também não tem marcas fixas, mas regras que determinam a movimentação e o desenho da cena. “Tem um jogo entre o teatro e a antropologia urbana. A imersão por São Paulo durante a pesquisa de linguagem nos deu um eixo. Cada nova paragem da peça nos exige um estudo de campo, colocando uma lente de aumento nas questões e contradições do lugar”, explica a diretora Cibele Forjaz.

À direção soma-se sempre uma equipe propositiva, isto é, componentes do grupo assumem uma espécie de curadoria. No Rio, Aury Porto, Cibele Forjaz e Luiza Lemmertz assumem a função. Eles determinarão os rumos que a peça tomará a partir de um storyboard criado em conjunto com, por exemplo, artistas da cenografia e figurino.

A pesquisa para a montagem da peça ainda resultou em um livro distribuído gratuitamente para escolas e instituições de teatro de todo o país.

Sobre a mundana companhia

Inspirados pela militância política dos artistas de teatro da cidade de São Paulo junto ao movimento Arte contra a Barbárie, Aury Porto e Luah Guimarãez fundaram a companhia no ano 2000. A partir daí, a cada projeto o grupo teria um novo corpo que daria vazão às ideias de continuidade e transitoriedade que seriam sua marca.

Apesar de elaborado desde a virada do século, o primeiro trabalho do núcleo artístico só foi realizado muitos anos depois, com a montagem A queda (2007), adaptação do romance de Albert Camus. Seguiram-se, ainda, os projetos Das Cinzas (2009), com texto de Samuel Beckett; O Idiota — uma novela teatral (2010), realizado a partir da obra homônima de Fiódor Dostoiévsky; Tchekhov 4 — Uma Experiência Cênica (2010), primeiro trabalho do diretor russo Adolf Shapiro com atores brasileiros, montado por ocasião do centenário de Anton Tchekhov; Pais e filhos (2012), adaptação do romance homônimo de Ivan Turguêniev também dirigida por Adolf Shapiro; e O Duelo (2013), criado a partir da novela de Tchekhov e a temporada anterior da mundana companhia no Rio de Janeiro, em 2014.

A mundana companhia se estabelece como uma das principais realizadoras de teatro contemporâneo do Brasil.

Temporada: 11 a 26 de agosto

Dias e horário: Terças, quartas e sextas-feiras ― 19h / Sábados e domingos ― 18h

Entrada franca
(Ingressos distribuídos na bilheteria 1h antes de cada apresentação)

Bilheteria: Terça a domingo ― 10h às 20h

Duração: 150min

Classificação: 14 anos

Lotação: 200 lugares (mais quatro para cadeirantes)

Acesso para pessoas com deficiência.

Caixa Cultural Rio de Janeiro ― Teatro de Arena
Av. Almirante Barroso, 25 — Centro ¯ Rio de Janeiro
(Metrô e VLT: Estação Carioca)
Tel.: 21 3980-3815