Montreal, uma cidade cultural

Bom dia, boa tarde, boa noite! A saudação não conta tanto; afinal, Rio de Janeiro e Montreal, no Canadá, estão com uma diferença de três horas no fuso horário. Este é o primeiro número da coluna Conexão Rio˗Canadá, que pretende ser um espaço aberto com dicas, sugestões de cultura e turismo a partir de experiências pessoais desta colunista.

Fonte: Montréalcam.com

Estou em Montreal, a mais famosa cidade da província do Quebec e a segunda mais populosa do Canadá. Fundada por franceses em 1642, o nome Montreal, em tradução literal, significa Monte Real, e, hoje, a ilha é sinônimo de cultura. Apesar das diferenças, do sol, da neve, Rio e Montreal têm em comum uma vocação cultural: o que acontece aqui ou aí vira referência para o resto do país. Para quem não conhece, Montreal é cenário frequente em filmes pelo mundo afora. É bilíngue e a população fala inglês e francês.

Como nova moradora, procuro desvendar o que fazem os locais quando querem se divertir, comer ou curtir. Um hábito dos moradores — que descobri recentemente — é o de beber cervejas encorpadas, fortes, para espantar o frio. Fiz um tour, The Montreal Brewpub Experience, para constatar. É que cerveja, no meu caso, é algo muito verão! Como estamos na neve, eu tinha um pouco de receio do que iria encontrar na maratona alcoólica.

O passeio dura três horas (preços a partir de 59 CADs, e não achei caro, pela experiência) e percorre três bares tradicionais da cidade. Um deles é o Le Saint-Bock, onde degustei uma cerveja bem forte, com malte tostado e que realmente me aqueceu por dentro. Para que ninguém fique bêbado, petiscos como o poutine, uma mistura de batata frita, queijo e molho, é servido aos cervejeiros.

“Mais do que simplesmente beber cervejas diferentes, o tour é uma oportunidade de conhecer o estilo de vida de Montreal no inverno. Com a neve, é muito gostoso reunir os amigos, a família, para degustar uma boa cerveja encorpada. Isso é parte da nossa cultura, do nosso modo de vida”, explicou Camille Dupuis, a guia do tour da cerveja.

O poutine é um dos pratos mais típicos do Canadá. A origem tem várias versões, porém uma delas conta que, por volta de 1950, em um restaurante de Warwick, no sudeste do Quebec, um cliente pediu para misturar queijo e molho à batata frita. O homem falou, em inglês: “Put in, put in!”, uma tradução literal para “colocar”. O dono do local, que era francês, respondeu: “Ok, poutine!” Se é lenda urbana ou não, ninguém sabe.

Um dos melhores locais de Montreal para degustar a iguaria é o La Banquise, que funciona desde 1968.

É um restaurante simples, sem luxo, limpo e com uma variedade de mais de trinta tipos de poutine. Tem versões com carne, frango, legumes e até vegana, e o melhor: não custa caro. O preço do prato tradicional médio sai por 7,25 CADs, valor de uma passagem de ida e volta no metrô.

Fonte: The Main

“A comida é parte da nossa cultura. As batatas sempre fizeram parte das refeições porque eram baratas e podiam ser estocadas no inverno. É uma tradição do Quebec comer poutine”, explicou Annie Barsalou, proprietária do local, aberto 24 horas.

Se para o brasileiro conhecer a culinária canadense faz parte do roteiro de viagem, para muitos canadenses o tempero verde-amarelo é irresistível. Descobri isso quando fui conhecer um restaurante brasileiro na região central de Montreal. O Acajou é uma espécie de point de brazucas, de artistas locais e internacionais e de canadenses que querem conhecer a nossa gastronomia. Comandado pelas mãos carinhosas da chefe de cozinha Ana Maria Lyrio, baiana residente há 50 anos no país, podemos ver em suas paredes fotos dos frequentadores, um elenco hollywoodiano, a exemplo de  Leonardo DiCaprio, Robert de Niro, Wesley Snipes  e o nosso belo Rodrigo Santoro.

Pelo valor de 15,95 CADs, o cliente se depara com uma comida muito bem-feita, composta de carnes de qualidade, farofa, couve, laranja e… aquele toque brasileiro a mais.

“A feijoada, o nosso feijão brasileiro, tem uma ligação de casa, de família, com as nossas raízes. Muitas vezes, comer algo que você gosta pode ajudar a diminuir a saudade”, explicou a chefe. O preço do prato é similar ao valor de um trio de sanduíches em lanchonetes, e não tem comparação. Além da feijoada, o Acajou tem opções como aipim frito, pastel, coxinha, pão de queijo, moqueca de peixe e caipirinha. A cachaça, nossa bebida-símbolo, é pedida por 9 entre 10 canadenses que costumam frequentar a casa. Eu fui embora com vontade de voltar logo e acho que você também vai gostar.

Até o próximo encontro, com mais dicas de cultura, lazer e turismo no Canadá!

Rosane Rodrigues — Jornalista
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