“Meus duzentos filhos” cumpre temporada no Midrash Centro Cultural e no CCJF

À esquerda, o ator Marcelo Aquino, protagonista do espetáculo. À direita, Janusz Korczak e algumas de suas crianças. Créditos: Divulgação.

O espetáculo Meus duzentos filhos está em cartaz  no 4º Festival Midrash de Teatro até 30 de agosto e estreia em 18 de agosto no CCJF. Dirigido por Ary Coslov e protagonizado por Marcelo Aquino, a montagem gira em torno da vida  e da obra de Janusz Korczak, pseudônimo de Henryk Goldszmit, fundador e gestor do Orfanato Modelo, em Varsóvia, dedicado a crianças judias, e que com elas morreu, pelas mãos dos nazistas, no campo de Treblinka, em 1942.

Baseado em seu diário de memórias, a peça teatral focaliza a brilhante e iluminada ação de Janusz Korczak  junto as crianças acolhidas em seu orfanato modelo Dom Sierot (A Casa dos Órfãos. Os órfãos ‒ seus duzentos filhos ‒ aprendiam disciplina, ganhavam instrução e força moral para enfrentar a vida. Korczak afirmava que “não existem crianças, existem pessoas”, e esforçava-se para assegurar a elas uma infância despreocupada, mas não isenta de obrigações.

O texto de Miriam Halfim é pontuado de lirismo, emoção. O monólogo traz a generosidade, hombridade, nobreza, retidão, firmeza de caráter e lealdade como características explícitas do personagem. Desse modo, a peça conduz o público a pensar sobre a educação e o tratamento dispensado as crianças com um novo olhar, o do amor. É uma verdadeira oportunidade de conhecer uma grande história de força de vontade em meio às ações pavorosas do nazismo.

Sobre Janusz Korczak

Pedagogo, pediatra e escritor judeu polonês, Janusz foi inovador e precursor nas iniciativas em prol dos direitos da criança e do reconhecimento da total igualdade entre elas e os adultos. Seu trabalho ganhava força e também tinha inspiração nos estudos desenvolvidos por Maria Montessori, educadora, médica e pedagoga italiana que destacava a importância da liberdade, da atividade e do estímulo para o desenvolvimento físico e mental das crianças. deixou princípios que ainda hoje estão sendo estudados.

Os 24 livros de Korczak são a base de grandes nomes da educação infantil como Paulo Freire e o psicólogo suíço, Jean Piaget, que chegou a visitar o orfanato. Sua ideia de respeitar os direitos da criança é referência para muitos autores contemporâneos. A importância e relevância de Korczak na educação fez surgir em 1998 o “O seminário é uma comemoração dos 50 anos da Declaração dos Direitos da Criança da ONU, inspirada em Korczak”.

O Orfanato Modelo Dom Sierot (A Casa dos Órfãos) foi fundado por Janusz Korczak juntamente com sua amiga Stefania Wilczyska em 1912. A entidade destinada a crianças judias era financiada pela Sociedade judaica Auxílio aos Órfãos. Ele desenvolveu a chamada “República de Crianças”, onde funcionava um tribunal de arbitragem de crianças, no qual os próprios órfãos avaliavam as causas apresentadas por eles mesmos, podendo inclusive levar à tribunal seus educadores.

Entre outubro e novembro de 1940, o orfanato foi transferido a mando do governo nazista para o Gueto de Varsóvia, o maior bairro judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polónia durante o Holocausto. O educador e seus duzentos filhos padeceram nas mãos dos apoiadores do alemão Adolf Hitler. Embora o pedagogo tenha recebido três propostas para sair do local, recusou todos os chamados: ele não iria a lugar nenhum sem seus filhos.

Foi no gueto, que ele retomou a escrita regular do seu diário iniciado em 1939, após dois anos sem fazer nenhuma anotação sobre o comportamento e desenvolvimento das crianças e técnicas educacionais aplicadas por ele. A última anotação foi em 4 de agosto de 1942. Na manhã de 5 de agosto de 1942, o local foi cercado pelas tropas nazistas. Era o fim. Korczak, então com 64 anos, pediu para as crianças colocarem suas melhores roupas e pegarem o seu brinquedo favorito. Em marcha, ele pegou duas crianças pelas mãos e guiando um grupo de 192 órfãos, embarcou em um dos vagões rumo aos campos de extermínio. O comboio também levava Stefania Wilczyńska e mais um grupo de educadores. A caminhada para a morte tornou-se um ícone do massacre. Janusz Korczak foi assassinado com suas crianças no campo de extermínio nazista de Treblinka. No ano de 1948, foi postumamente agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem da Polônia Restituta. O diário foi publicado pela primeira vez em Varsóvia, em 1958.

4º Festival Midrash de Teatro
Temporada: 8 a 30 de agosto (Quartas e quintas).
Dias e horário: 8 e 9 de agosto ‒ 20h30min / 15 a 30 de agosto ‒ 20h.
Entrada: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia-entrada).
Passaporte Festival: R$ 80 (5 apresentações) / R$ 100 (10 apresentações).
Venda antecipada on-line: www.midrash.org.br.
Classificação: Livre.
Local: Midrash Centro Cultural – Rua General Venâncio Flores, 184 ‒ Leblon ‒ Rio de Janeiro. Infos: 21 2239-1800.

Centro Cultural Justiça Federal – CCJF
Temporada: 18 de agosto a 23 de setembro.
Dias e horário: Sexta a domingo ‒ 19h.
Entrada: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia).
Classificação: Livre.
Local: Av. Rio Branco, 241 ‒ Centro ‒ Rio de Janeiro. Infos: 21 3621-2550 / http://www.ccjf.trf2.gov.br.