“Malditos”, de Renato Vieira Cia, faz temporada no Sesc Copacabana

Imagem: © Bruno Veiga / Divulgação.

O espetáculo Malditos, da Renato Veira Cia de Dança, encontra-se em cartaz no Sesc Copacabana. A obra ―   literatura e poesia misturadas a uma certa fúria que dialoga com o momento vivido pelo país ― faz parte de uma trilogia pautada na impossibilidade de os coreógrafos trabalharem com outro tema que não o da realidade imediata, ou seja, repercutir, por meio de movimentos, o impacto causado pela crise política/econômica/social instalada no Brasil.

O novo espetáculo apresenta dois momentos: um coreografado por Renato e que leva o nome do espetáculo, e o solo Fu, assinado e interpretado por Bruno Cezario. E é a criação de Bruno que aponta para o novo projeto, a ser realizado em 2020, encerrando a trilogia. Em Vida (aqui estou eu), o tempo deverá apaziguar as paixões e definir um novo caminho artístico. Na cena, além de Bruno Cezario, estão os bailarinos Soraya Bastos, Felipe Padilha, Hugo Lopes e Wallace Guimarães.

O ponto de partida para a criação da nova obra foi a aproximação com os “poetas malditos”. Há 150 anos, os simbolistas propunham uma escrita livre, revolucionária, cheia de símbolos e musicalidade. Naquele momento, como agora, havia um desconforto com o mundo. Sentindo-se mergulhado num certo déjà vu dos Anos de Chumbo, Renato Vieira buscou a poesia melódica da época, através de referências muito fortes, que vão de Santana a Janis Joplin. A partir desses nomes consagrados, Felipe Storino partiu para a composição da trilha musical.

Sobre a Renato Vieira Cia de Dança

Companhia carioca de dança, em cena desde 1988, com direção geral de Renato Vieira, é reconhecida pela produção contínua de espetáculos que aliam o popular ao erudito, passando pelo experimentalismo, sem abrir mão da qualidade técnica de seus dançarinos. A companhia busca tornar acessível a dança como manifestação artística para todos os públicos, entendendo que assim atrai novos olhares para a dança contemporânea e contribui na formação de novas plateias para as artes em geral.

Renato Viera ― Diretor artístico e coreógrafo

Uma figura presente e atuante em diversas áreas da cena contemporânea, Renato Vieira começou sua carreira com o lendário Lennie Dale, dançou com Dalal Achcar, fundou o Vacilou Dançou com Carlota Portella e, no fim dos anos 80, criou a Renato Vieira Cia de Dança, que apresenta regularmente criações inéditas.

Como coreógrafo convidado assinou peças para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Teatro Guaíra, o Teatro Municipal de Niterói, o Balé da Cidade de São Paulo,  a Cia de Dança de São José dos Campos, onde acumulou o cargo de diretor. Ministrou cursos no Japão e na Alemanha, e, durante vários anos, deu aulas formando bailarinos e marcando, com seu estilo, uma geração.

Renato é pioneiro na direção de movimento para teatro, televisão e cinema, tendo assinaso mais de 40 espetáculos, em parcerias com nomes como Gustavo Gasparani, Pedro Brício, Claudio Botelho e Charles Moeller e Wolf Maya. Entre as produções mais recentes que contaram com sua contribuição destacam-se  Bem Sertanejo, o Musical; Zeca Pagodinho, uma História de Amor ao Samba; Lili,  S’imbora – O Musical;  SamBra, o musical – 100 anos de Samba.

Bruno Cezario Codiretor, Bailarino e coreógrafo

Bailarino de expressão internacional, Bruno estreou profissionalmente, aos 16 anos, em Romeu e Julieta, uma adaptação do original de Shakespeare concebida e dirigida por Sergio Britto e coreografada por Renato Vieira, passando a fazer parte de todas as criações da Renato Vieira Cia de Dança. Integrou paralelamente o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob as direções de Jean-Yves Lormeau e Dalal Achcar, estreando nesse palco, aos 17 anos de idade. Viveu em Genebra onde dançou com o Ballet du Grand Théâtre de Genève; em Estocolmo com o Cullberg Ballet; na França no Ballet de l’Opéra de Lyon; em Madrid, onde recebeu de Nacho Duato o título de Primeiro Bailarino na Compañía Nacional de Danza. Dançou peças de mais de 40 coreógrafos internacionais e nacionais, dentre eles William Forsythe, Jiří Kylián, Sasha Waltz, Lucinda Childs, Rachid Ouramdane, Philippe Decouflé, Natalia Makarova e Tatiana Leskova e Matz Ek.

Voltando ao Rio de Janeiro, criou em parceria com Renato Vieira todas as obras da companhia desde então, além de assinar figurinos e trilhas sonoras. Foi coreógrafo convidado da Cia de Ballet da Cidade de São José dos Campos, da Compañía Nacional de Danza (Costa Rica). Criou uma das peças coreográficas que constituem o espetáculo Peh Quo Deux, da PeQuod / Companhia de Teatro de Animação, com direção geral de Miguel Vellinho. Fez a direção de movimento da peça Tãotão, texto de Pedro Kosowski e direção de Cacá Mourthé, pela qual recebeu o prêmio de Melhor Coreografia no 3o Prêmio CBTIJ de Teatro para Crianças. É dele também a direção de movimento de Isaac no Mundo das Partículas. Participou como ator dos longas-metragens Ensaio, de Tania Lamarca, e Exilados do Vulcão e Noite de Paula Gaitan. Como melhor bailarino recebeu os prêmios: Rio Dança 2001 e Você E A Dança.

Temporada: 4 a 27 de janeiro.

Dia e horário: Sexta a domingo ― 20h.

Entrada:

  • R$ 7,50 (associado do Sesc);
  • R$ 15 (meia);
  • R$ 30 (inteira).

Bilheteria: Segundas ― 9h às 16h / Terça a sexta ― 9h às 21h / Sábados ― 13h às 21h / Domingos ― 13h às 20h.

Classificação: 16 anos.

Duração: 50 minutos.

Lotação: 80 pessoas.

Sesc Copacabana ― Mezanino
Rua Domingos Ferreira, 160  ― Copacabana
Rio de Janeiro / RJ
Infos: 21  2547-0156