João Fernandes é o novo diretor artístico do Instituto Moreira Salles

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O português João Fernandes, subdiretor do Museu Reina Sofía, de Madri – um dos mais importantes e originais museus do mundo – será o novo diretor artístico do Instituto Moreira Salles a partir de 18 de agosto. Ocupante deste mesmo cargo no museu espanhol há seis anos, Fernandes foi curador de importantes exposições no Museu de Serralves, no Porto, entre 1996 e 2002, para, em seguida, dirigir o Serralves de 2003 a 2012, contribuindo decisivamente para transformar o magnífico espaço cultural do Porto num marcante endereço de arte contemporânea da Europa.

Para o IMS, a escolha de Fernandes é uma substituição à altura para seu antecessor Lorenzo Mammì, que precisou retomar suas atividades acadêmicas na USP e desligou-se das funções no IMS em outubro do ano passado.

O novo diretor artístico consta da lista de 2018, da revista ArtForum, das 100 pessoas mais “poderosas” na cena das artes mundo afora, junto com Manuel Borja-Villel, o diretor do Reina Sofía. Segundo a revista, os dois são comandantes de um museu “radical”, que não cedeu à tentação de realizar grandes exposições blockbusters em favor de uma arte mais criativa e insinuante. Listava a propósito exposições que marcaram os últimos 12 meses, como o Dada Russo, e as mostras sobre Fernando Pessoa e Artur Barrio, das quais Fenandes foi o curador.

Nascido em 1964 em Bragança, mas tendo feito sua vida acadêmica e no mundo das artes na cidade do Porto, João Fernandes licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade do Porto.  Nas programações que desenvolveu para instituições que dirigiu ou codirigiu, procurou cruzar artes visuais com artes performáticas e o cinema, trabalhando com compositores, músicos, coreógrafos e dançarinos, a exemplo de Laurie Anderson, Trisha Brown, Lia Rodrigues, Cecil Taylor e Arto Lindsay. Foi membro de diversos organismos consultivos de museus internacionais e participou de vários júris, como o de exames da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris. É atualmente membro do Comitê Cientifico do Museu de Arte Contemporânea de Trento e Rovereto – Mart (Itália). João Fernandes conhece bastante bem a arte brasileira moderna e contemporânea. Tem laços com críticos e artistas. Reverencia e louva a diversidade cultural brasileira como fonte de uma vitalidade que considera rara e relevante.

Um ciclo promissor, aliás, mais um, é a expectativa do Instituto Moreira Salles para a nova gestão.