Quem construiu o castelo da avenida Brasil?

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Quem construiu as pirâmides do Egito? Quem carregou as pedras? Quais os nomes dos desconhecidos operários? Em memorável poema, o dramaturgo alemão Bertold Brecht indagava: “No dia em que ficou pronta a Muralha da China, para onde foram os seus pedreiros?”

Perto do bairro de Bonsucesso, existe um castelo que não foi casa de nenhum rei. Milhares de pessoas passam pela avenida Brasil, entrando ou saindo do Rio de Janeiro, ou vindo dos subúrbios para o centro da cidade, e perguntam: que castelo é esse?

O prédio é parte do conjunto de construções que compõem a Fundação Oswaldo Cruz, um centro de ciência, ensino e produção de medicamentos. Então, o castelo da avenida Brasil não foi moradia de nobres portugueses? Não. Ele foi e é local de trabalho de pesquisadores e técnicos.

No final do século XIX, a fazenda de Manguinhos, situada na Zona Norte do Rio de Janeiro, destinava-se à queima do lixo. Devido às epidemias (febre amarela, varíola e peste bubônica) que atacavam a cidade, teve início uma série de ações que visavam combater essas doenças.

O Castelo da Fiocruz, como é mais conhecido o Pavilhão Mourisco, começou a ser construído em 1905 num terreno de 800 mil metros quadrados. Sua completa edificação terminaria somente em 1918. O desenho inicial do prédio foi feito pelo próprio Oswaldo Cruz, e a partir da ideia o arquiteto português Luís de Moraes chegou ao projeto final.

O prédio está localizado no alto da colina principal da antiga fazenda, e sua fachada está voltada para o mar, que na primeira década do século XX chegava muito próximo do terreno.

Desde a década de 1980, a bela construção está tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Seus equipamentos elétricos funcionavam a partir de um gerador; o elevador, instalado em 1909, é o mais antigo em operação na cidade. Possuía sistemas de telefonia, refrigeração, relógios e termômetros sofisticados para a época.

O castelo apresenta um tom vermelho nos tijolos das paredes externas. As varandas são revestidas de azulejos portugueses e o piso é coberto de mosaicos que lembram tapetes orientais. Os materiais utilizados na obra (tijolos, azulejos, cimento) foram importados da Europa. De lá também vinham muitos operários, portugueses, espanhóis e italianos. Mas também havia brasileiros.

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Na foto acima, aparecem os rostos desses trabalhadores. Não eram reis, no entanto ajudaram a construir uma história centenária. Posaram em frente ao monumental prédio em obras. Seus nomes? Alguns tiveram seus registros nos cantos da história.[1]

Após a conclusão dos trabalhos, teriam sido aproveitados em várias funções na própria instituição. Basilio Aor, o mestre de obras, homem de confiança de Luís de Moraes, continuou trabalhando com o arquiteto em outras obras. Faleceu em 1919. Um dos seus sete filhos, Hamlet William Aor, viria a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz.

Para onde foram os pedreiros do Castelo da Fiocruz?

Teriam ido morar nas redondezas.

[1] As fotografias são do Acervo da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. O Arquivo Histórico está disponível para consulta no Departamento de Arquivo e Documentação.

Ricardo Augusto dos Santos
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br