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Meninos, eu vi!

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Imagem: retirada do livro “Figuras e coisas da Musica Popular Brasileira”, de Jota Efegê. Volume 1. Edição da Funarte, Rio de janeiro, 1978.

O primeiro número desta coluna – dedicada às coisas do Rio de Janeiro, seus personagens e costumes – é uma homenagem ao jornalista Jota Efegê, testemunha ocular dos hábitos cariocas durante o século XX e escritor de Meninos, Eu Vi, uma coletânea de crônicas publicadas no extinto O Jornal e em O Globo entre 1968 e 1978.

Nascido João Ferreira Gomes em 1902, no Morro do Castelo, foi nas oficinas do Jornal do Brasil  – estudou artes gráficas no tradicional Colégio Salesiano – que Jota Efegê,  também crítico esportivo e de teatro, encontrou seu caminho para ingressar no mundo do jornalismo.

Seu início de carreira como jornalista data do início da década de 1920, no Jornal das Moças, mas somente em 1928 é que seus primeiros textos sobre o carnaval, no jornal Diário da Noite, viriam à tona.  E por 60 anos, a partir de 1930,  Efegê trabalharia em diversos periódicos cariocas: Jornal do Brasil, Diário de Notícias, Diário Carioca e O Jornal.

Teria sido Tia Leandra, sua avó materna, frequentadora da casa da famosa Tia Ciata* na Praça XI, a responsável por levar nosso homenageado a conhecer a Festa da Penha, as ruas da cidade de São Sebastião, os terreiros da Saúde e Gamboa, universo rico culturalmente que, depois, o jornalista narraria em suas andanças pelos botecos e gafieiras. Todas as tardes, Efegê comparecia à Biblioteca Nacional para consultar jornais, buscando informações para enriquecer seus artigos.

Efegê, sempre de terno, gravata borboleta, óculos de lentes grossas e cabelos brancos, foi o maior cronista do Carnaval. Dentre seus livros, que são antologias dos textos publicados nos periódicos, podemos listar alguns dos mais importantes para compor uma biblioteca carioca: “Meninos, Eu Vi”; “Figuras e Coisas do Carnaval Carioca”; “A Cabrocha”; “Ameno Resedá, o Rancho que foi Escola”; “Maxixe, a Dança Excomungada”; e “Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira”.

Então, leitor, é bom ficar preparado. Sob as bênçãos de Jota Efegê, nas próximas semanas falaremos do Rio de Janeiro.

Na fotografia, encontramos Jota Efegê e o compositor João da Baiana em plena Pedra do Sal.

*Tia Ciata foi uma conhecida mãe-de-santo  cujo terreiro, após as sessões, virava palco de festas e também de encontro de nomes atualmente consagrados do samba: Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, João da Baiana e Mauro de Almeida. “Pelo  Telefone”, o primeiro samba, composto por Donga e Mauro de Almeida, ali foi concebido. Não por acaso, sua casa é considerada o berço do samba.

Ricardo Augusto dos Santos
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br