Cazé, o grafiteiro da Lapa

ladeiradocastroA arte da rua está crescendo no mundo todo e o Rio de Janeiro não está de fora. São centenas de intervenções, em geral supercoloridas, que alteram significativamente a paisagem urbana em portas, paredes, muros e prédios. No Rio, o centro da cidade em geral, e a Lapa em particular, são os espaços privilegiados dessa arte. O spray é o pincel e a rua é a tela. Já há, inclusive, passeios específicos só para ver os trabalhos de arte da rua no Rio. Um dos artistas que mais se destacam no Centro do Rio com este trabalho é Cazé Sawaya, que trocou Copacabana pela Lapa e já aplicou, ou interveio, como queiram, vários trabalhos em vários pontos do bairro e nas proximidades. Um dos seus últimos trabalhos é um megamural no início da Ladeira do Castro (junto à rua do Riachuelo), um fantástico trabalho de releitura da obra de Pedro Américo — a Batalha do Avaí, no caso — que inaugura um projeto na própria Ladeira do Castro como um todo.

Cazé Sawaya, nascido Fernando José Sawaya, 29 anos, formado em design, com especialização embarbudo_caze direção de arte e história em quadrinhos, define seu trabalho como uma street art, com uma “linha bem humorada, cheia de alegria e crítica”. Ele explica que o centro de sua arte é o personagem “Barbudinho”, ou “Barbudinho Andarilho”. Cazé queria causar impacto, sobretudo com o item barba, já que para ele ainda há um grande preconceito contra barbas. Ele lembra que, quando morava em Copacabana, as pessoas estranhavam sua aparência e ficavam com medo, fato esse que se complicava por sua pele escura (“sou quase negro”). “As pessoas atravessavam a rua ou me chamavam de Bin Laden”, reage ele sempre bem humorado.

O Barbudinho Andarilho é, então, alguém que anda com mochila, usa barba (claro!), boné, casaco e leva na mochila várias ideias. “O personagem é inspirado em mim”, explica Cazé, acrescentando que o Barbudinho “tem a minha história, a minha trajetória, a minha barba”. Esse interessante personagem pode ser visto em várias paredes da Lapa, como na rua do Riachuelo, rua André Cavalcanti, avenida Mem de Sá e mais recentemente na rua Henrique Valadares e avenida Chile, estes últimos junto com outros artistas.

Mas, afinal, nesta explosão de criatividade das ruas, qual a diferença entre grafite, pichação e mural? Cazé, que se define como artista plástico, explica que se baseia no conceito de street art, ou arte da rua. Nesse sentido não vê diferença entre grafite e pichação, porque para ele tudo é intervenção na rua, tudo é rua. É a rua que define para ele o processo criativo e a intervenção plástica. Entretanto, ele reconhece que este trabalho está de alguma maneira articulado com a produção do artista no seu ateliê. Cazé também trabalha com óleo sobre tela, por exemplo, e explica que o trabalho da rua dá a divulgação para o trabalho com outros suportes.

loboguara_ilhadogovernadorCazé Sawaya só vê diferença mais significativa no trabalho do mural, que, por sua vez, é feito em grandes paredes (em geral laterais) de prédios, que demandam uma equipe de certo tamanho, equipamentos mais complicados como andaimes e que, com alguma frequência, necessitam de patrocínio.

A grande atenção do momento, no entanto, é a Ladeira do Castro. Esta ladeira liga a rua do Riachuelo (próximo ao Bairro de Fátima) ao Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. É uma ladeira com a cara de Santa Teresa: estreita, calçamento de paralelepípedos, sem asfalto e cheia de construções antigas. Não havia até então nenhuma intervenção artística. O sonho de Cazé e dos outros artistas que participam do projeto, como Fábio Ema, da Fábrica de Arte e Cidadania (Fac), é transformar a Ladeira do Castro numa referência cultural tal como a Escada Selarón, da Lapa. “Detectei que não havia nenhum grafite na ladeira e vi ali uma grande oportunidade de transformar aquele espaço em ponto de cultura”, explica o artista. Os trabalhos têm início logo no início da Ladeira com o grande mural baseado em Pedro Américo, que levou três meses para ser pintado. Cazé o batizou com o nome de “Batalha do Ego”. O original se chama “Batalha do Avaí”, está no Museu Nacional de Belas Artes e a releitura de Cazé, também em grandes proporções, está na parede dum sobrado antigo. O trabalho ficou impactante. A Lapa e o Centro estão mais bonitos.

Perfil no Facebook da Cazé Sawaya
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Perfil no Facebook do Projeto da Ladeira do Castro
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Página na Internet com o trabalho de Cazé Sawaya
http://cazesawaya.tumblr.com/

Roberto Girafa ─ jornalista e historiador
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br