Count

Barracão de Zinco

Vai, Barracão/ Pendurado no morro/ me pedindo socorro/ a cidade a teus pés/ Vai,  Barracão/ Tua voz eu escuto/Não te esqueço um minuto/Porque sei que tu és/Barracão de zinco/ Tradição do meu país/ Barracão de zinco…”

zinco

Casebres no Morro da Favela. Foto retirada do livro História dos Bairros. Saúde, Gamboa, Santo Cristo. Rio de Janeiro, Editora Index, 1987.

No início da década de 1950, esse samba foi composto pelo radialista e autor de músicas Oldemar Magalhães, em parceria com o compositor Luiz Antônio. Diversos cantores a gravaram, mas a canção se consagrou com Elizeth Cardoso, quando no dia 19 de fevereiro de 1968, num teatro Joao Caetano lotado, Elizeth recebeu Jacob do Bandolim, o grupo Época de Ouro e o Zimbo Trio. No velho palco da Praça Tiradentes, mais de 1.500 pessoas não sabiam que naquela noite assistiriam a um dos melhores espetáculos de suas vidas. A gravação desse show é um deleite para os ouvidos.

A música nos remete à realidade dos problemas habitacionais do Rio de Janeiro nas décadas de 1940 e 1950. Morar, porém, não era o único problema. E também não era uma questão nova para os trabalhadores.

Na verdade, é uma triste tradição do país. Na imagem, encontramos uma foto da primeira favela carioca. Fica até hoje situada nos fundos da estação de trens Central do Brasil. Perto da Praça da República, recebeu o nome de Morro da Favela. Também chamada de Favela da Providência.

Sua origem está na ideia de “limpar” a região central da cidade, dando um ar de higiene e modernidade à capital da República. Em meados da década de 1890, iniciou-se, assim, a tarefa de expulsar os pobres que viviam em casas, quartos, estalagens e cortiços no centro da cidade. Colocados para fora de seus lares, refugiaram-se nesse morro e, com os restos de materiais (madeira) das demolições, construíram os primeiros barracos.

Logo depois chegaram os soldados que haviam lutado na Guerra de Canudos, no interior da Bahia. Sem nenhum auxílio do governo, ali se alojaram. Inclusive, o fato explicaria o nome “Morro da Favela”. Uma alusão à planta existente na região do conflito. E quanto a seu outro nome, Morro da Providência, a versão corrente afirma que se dizia: “Aquelas pessoas vão ficar ali? É preciso tomar uma providência!”

Ricardo Augusto dos Santos
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br