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Livro reúne ampla produção de Francisco Bittencourt, um dos mais importantes críticos de arte brasileiros

artes

No dia 10 de dezembro, sábado, às 16 horas, será lançado no Paço Imperial o livro Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite, que reúne, pela primeira vez, a produção de um dos mais importantes e atuantes críticos de arte do Brasil na década de 1970.

Uma publicação da Editora Tamanduá Arte, a obra — organizada pela curadora e crítica de arte Fernanda Lopes e pelo escritor Aristóteles Angheben Predebon, detentor dos direitos de publicação da obra do crítico — apresenta, em suas 550 páginas, um amplo panorama da produção de Francisco Bittencourt, que escreveu no Jornal do Brasil e na Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro, e no Correio do Povo, no Rio Grande do Sul. Do livro faz parte também uma entrevista concedida ao crítico a António Celestino, em 1975, publicada no jornal Tribuna da Imprensa.

Na mesma ocasião, após o lançamento, será realizado um debate com os organizadores e o crítico de arte Frederico de Morais.

O livro, no formato 160cm x 230cm, estará à venda pelo valor de 60 reais.

Sobre a obra

Um rico panorama do trabalho de Francisco, além de parte importante da história da arte e da crítica de arte no Brasil, eis o que o livro revela. Os organizadores realizaram uma  ampla pesquisa de textos nos veículos de comunicação em que Francisco atuou e selecionaram cerca de 130 publicações que mostram os diferentes aspectos de sua produção crítica. No jornal Tribuna da Imprensa, ele escreveu a coluna semanal Artes Plásticas, entre 1974 e 1979. No Correio do Povo, colaborou com textos semanais entre 1975 e 1979. Ainda na década de 1970, trabalhou como interino no Jornal do Brasil.

Aristóteles Predebon, escritor e detentor dos direitos de publicação da obra de Francisco Bittencourt

Aristóteles Predebon, escritor e detentor dos direitos de publicação da obra de Francisco Bittencourt

“Sua postura generosa, atenta a atitudes novas, procura se opor não só ao que se faz de convencional em termos de arte, mas também em termos de crítica. É comum encontrarmos depoimentos de artistas sobre suas obras, discursos referidos, tentativas de elaboração e aprimoramento de caminhos próprios“, conta Aristóteles Angheben Predebon.

Dono de um texto forte e envolvente, Francisco Bittencourt escrevia sobre os artistas contemporâneos da época e também sobre as Bienais, os Salões de Artes Plásticas e as instituições, principalmente o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu Nacional de Belas Artes. Bittencourt destacava não somente a programação dos museus e centros culturais, mas também suas precariedades e sua administração, criticando também a ausência de alguns artistas em certas exposições. Alguns textos, inclusive, atacam a própria imprensa, dizendo que alguns fatos surpreendentemente não ganharam o merecido espaço na mídia.

“Esses textos, em sua maioria publicados na imprensa diária, alternam-se entre discussões sobre o sistema de arte, o fazer artístico e da crítica de arte, além de perfis de artistas. (…) Em comum todos eles têm um olhar urgente e inconformado sobre os anos 1970 do Brasil, partindo do contexto artístico, mas que a ele não se limitam. E é isso que essa organização procurou enfatizar”, afirma Fernanda Lopes, que diz, ainda, que esses textos em conjunto “revelam um crítico comprometido, que não desassocia ética e estética, e que com seu humor ácido dedica-se a pensar não só a produção artística, mas também a produção da crítica de arte”.

Aristóteles Angheben Predebon ressalta que Francisco deixou inéditos livros de poemas, um romance, contos, duas peças de teatro. Ele diz que Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite “trata-se do primeiro passo de um projeto maior: pretende-se, a partir daqui, publicar toda a sua obra inédita”.

Sobre Francisco Bittencourt

Nascido em 1933 e falecido em 1997, o gaúcho Francisco Bittencourt foi um dos principais nomes da crítica de arte no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, durante os anos 1970. Encontra-se entre os mais importantes defensores e divulgadores da geração de artistas plásticos que surgia e se consolidava naquela época, como Antonio Manuel, Anna Bella Geiger, Artur Barrio, Ascanio MMM, Cildo Meireles, Ivald Granato, Lygia Pape e Raymundo Colares. É dele uma das expressões mais marcantes usadas até hoje para se pensar a produção artística brasileira nos anos 1970: “Geração Tranca-Ruas”.

Sua verve para escrever se revelou ainda em seu Estado natal, o que culminou no livro de poemas Vinho para Nós, em 1952, e em contribuições para revistas — a exemplo de Província de São Pedro, da Editora Globo — em suplementos literários.  Já no Rio de Janeiro, publicou, em 1957, Jaula Aberta, seu segundo livro de poemas. Aliás, sua paixão por poesia perduraria vida afora, com diversas outras publicações do gênero, dentre as quais Pequenos deuses (1995), A vida inédita (1996) e Aquela mulher (1996).

Fernanda Lopes, curadora e crítica de arte

Fernanda Lopes, curadora e crítica de arte

Em sua volta ao Brasil, após passar os anos de 1964 a 1968 contratado pela Rádio do Cairo, passa a exercer a atividade de crítico de arte, além de estar empregado pela Embaixada da Inglaterra durante os dez anos seguintes. Escreve semanalmente, durante a década de 1970, para jornais como a Tribuna da Imprensa e Correio do Povo e contribui como interino no Jornal do Brasil, escrevendo eventualmente também para revistas como a Vozes. Publica artesanalmente dois números do Budum, com a colaboração de Artur Barrio, Caio F. Abreu e outros. Trabalha como tradutor do francês e do inglês; é sua a primeira tradução em língua portuguesa de “Germinal”, de Émile Zola.

Em 1978, ao lado de Agnaldo Silva e de outros intelectuais homossexuais, funda o Lampião de Esquina, jornal dedicado sobretudo às questões de sexualidade, mas que também procura abarcar questões feministas, raciais, indígenas e ligadas às minorias de modo abrangente, além de questões artísticas e culturais. Sua atividade como crítico de arte é interrompida em 1980, ano em que também se debela um inócuo processo contra o jornal.

Série resgata importantes críticos de arte no Brasil

Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite é o primeiro volume de uma série que será lançada pela editora Tamanduá Arte, que se baseia na pesquisa e no resgate da memória da critica de arte no Brasil, com a edição da obra de importantes nomes desde a década de 1950. O próximo volume a ser lançado no ano que vem será sobre o crítico Walmir Ayala, com organização de Carlos Newton Junior, professor da Universidade Federal de Pernambuco, e de Andre Seffrin, crítico literário.

Parte da tiragem de 1000 exemplares será distribuída para instituições, centros de pesquisa, fundações, museus, bibliotecas públicas, bibliotecas de universidades com cursos de graduação e/ou pós-graduação na área de Artes Visuais, garantindo assim o amplo acesso a essa produção.

Entrada franca

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48 — Centro — Rio de Janeiro
Tel.: 21  2215-2093