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Exposição do trabalho do fotógrafo Flávio Damm na Galeria Marcelo Guarnieri

Um recorte da trajetória de mais de 70 anos de um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro

Imagem: Flávio Damm. Sem Título — Rio de Janeiro, Brasil, 2000 — gelatina e prata— 24 x 30 cm.

Encontra-se aberta para visitação a mostra  Flávio Damm, um fotógrafo, na Galeria Marcelo Guarnieri, em Ipanema. São 36 fotografias em preto e branco de um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro, com mais de 70 anos de trajetória.

A exposição faz um recorte da trajetória do fotógrafo, com imagens que exploram a linguagem fotográfica para além dos preceitos jornalísticos, com fotos que buscam extrair das cenas urbanas a poesia de seu caráter trivial. As imagens foram produzidas nas décadas de 1950 e 1960 e também entre 2000 e 2010, no Brasil ― em cidades como Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro ― e no exterior ― em países como Portugal, Espanha e França.

As fotografias evidenciam uma liberdade de composição formal e poética, transportando o espectador para momentos de contemplação e beleza, para a posição do flaneur, que, vagando pela cidade, é surpreendido por situações dignas de registro. Flávio Damm espera o momento “correto” para fotografar. Mais do que testemunha de um fato, ele escolhe cuidadosamente o enquadramento através da lente 35mm de sua câmera Leica, que, por seu tamanho e leveza, permite a ele agir com rapidez e discrição. Com isso, ele acaba por assumir o lugar de testemunha de um instante, que, ao se transformar em imagem, traz junto uma atmosfera, seja de humor, encanto ou melancolia. “Fotografadas pelo tradicional processo analógico – o ar que eu respiro – pratiquei um tripé fotográfico composto de sorte, paciência e a experiência vivida que se alonga por 72 anos de câmera na mão e pé na estrada…”, ressalta.

Sobre Flávio Damm

Nascido em 1928 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Flávio vive e trabalha no Rio de Janeiro. Um dos grandes nome do fotojornalismo brasileiro, integrou, de 1949 a 1959, a equipe da revista O Cruzeiro, realizando reportagens históricas ao redor do mundo. Suas fotografias davam conta de retratar um grande escopo de assuntos e situações, que iam desde os modos de vida de comunidades isoladas no interior de um Brasil ainda pouco conhecido, até a coroação da Rainha Elizabeth II na Inglaterra. Em 1962, fundou, junto a José Medeiros e Yedo Mendonça, uma das primeiras agências de fotografia do país, a Image.

Flávio Damm fez fotografias históricas, como de Getulio Vargas em seu autoexílio, em 1948, no Rio Grande do Sul, sendo o primeiro fotógrafo autorizado a fazê-lo naquela circunstância e produzindo importantes imagens que circularam o mundo. Foi também o único fotógrafo brasileiro presente na cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra, em 1953, e no lançamento do primeiro foguete na base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, em 1957.

Flávio Damm foi indicado como um dos oito fotógrafos brasileiros de linha bressoniana pelo curador Eder Chiodetto. “Persigo sempre meus motivos pelo interesse documental que os mesmos contenham e, seguindo o mestre Cartier Bresson, ‘tirar uma foto é como reconhecer um evento e naquele exato momento – e, numa fração de segundo – organizar as formas que vê para expressar e dar sentido ao mesmo: é uma questão de pôr o cérebro, o olho e o coração na mesma linha de visão. É uma forma de viver’”.

Fiel à fotografia analógica em preto e branco e avesso ao uso do Photoshop ou de outras manipulações na imagem, Damm preza pelo registro direto, pois acredita que assim cumpre, de maneira responsável, com a sua função de “testemunha ocular”.  “Para estudar melhor a forma dispenso sempre a cor por ser desnecessária”, afirma.

O acervo do fotojornalista tem mais de 60 mil negativos. Ilustrou 29 livros, sendo cinco – edições e reedições – de Jorge Amado. Ilustrou, em 1949, o livro Um roteiro histórico de Recife, de Gilberto Freyre. Fotografou o dia-a-dia de Candido Portinari em seu ateliê durante os dois últimos anos de vida do artista. Trabalhou dois anos agregado ao escritório de Oscar Niemeyer na época da construção de Brasília.

Participou de diversas exposições individuais e coletivas. Destaque para Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil (2009),  Caixa Cultural do Rio de Janeiro e Curitiba (2012-2013), As origens do fotojornalismo no Brasil, Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro e São Paulo.

Abertura: 11 de maio ― 18h às 21h

Visitação: 12 de maio até 17 de junho

Dias e horário: Segunda a sexta ― 11h às 18h / Sábado ― 11h às 15h

Entrada franca

Galeria Marcelo Guarnieri, Rio de Janeiro
Rua Teixeira de Melo, 31 – lojas C/D
Ipanema ― Rio de Janeiro
Tel.: 21  2523.6157
www.galeriamarceloguarnieri.com.br