Count

A Angola de ontem e hoje em exposição na Caixa Cultural Rio de Janeiro

Com obras de três artistas contemporâneos, a exposição Daqui pra frente discute as tensões nas relações entre ex-colônia e colonizador

Imagem: “Cross Winds”. Crédaitos:  Monica Miranda.

Encontra-se aberta para visitação na Caixa Cultural Rio de Janeiro a exposição Daqui pra frente — Arte contemporânea em Angola, com obras da produção recente de três artistas da novíssima geração do país: Délio Jasse, Mónica de Miranda e Yonamine.

Sob a curadoria de Michelle Sales, a mostra exibe uma série de fotografias, vídeos e instalações, fazendo um mapeamento da fronteira estética entre a Angola de hoje e as imagens submersas e muitas vezes escondidas de um passado colonial recente.

“A representação da fronteira, excessivamente recorrente no pensamento atual, discute as trocas culturais que ocorrem na situação de pós-independência que muitas das ex-colônias vivem hoje. Na maioria das vezes, tais territórios são encarados como esquecidos, vigiados e vazios”, comenta a curadora Michelle Sales.

É justamente essa perspectiva que o trabalho dos artistas busca problematizar e questionar sob diferentes óticas. As obras de Délio Jasse consistem, num embate direto de referências que aludem à crise de todo o modelo colonial e seus desdobramentos contemporâneos: guerra, exílio, perdas. Por meio do retrato de rostos escavados numa antiga feira de antiguidades de Lisboa, Délio nos coloca frente a frente com aquilo que mais as práticas coloniais se ocuparam de apagar: as identidades.

Já Mónica de Miranda mostra os pedaços de uma memória coletiva que resiste no tempo. Angolana da diáspora, seu trabalho atravessa diversas fronteiras e esboça uma paisagem de identidades plurais inspiradas pela própria existência e vivência de uma artista itinerante. Sua poética autoral e autorreferencial, inerente a uma geração que cresceu longe de casa, já lhe rendeu diversos prêmios internacionais.

Por fim, o trabalho de Yonamine remete à arte urbana, fazendo uso de referências oriundas do grafite, da serigrafia e da pintura, num embate violento com o acúmulo cultural do caótico cenário político-econômico de Angola. A alusão ao tempo presente é recorrente na utilização de jornais como suporte. São muitas camadas históricas que se somam, produzindo imagens profundamente perturbadoras e desestabilizadoras. O artista fala de um país cujo passado foi sistematicamente apagado, seja pela Guerra Civil, seja pelas ocupações russa, cubana e atualmente chinesa e coreana.

Visitação: 21 de março a 14 de maio

Dias e horário: terça a domingo — das 10h às 21h

Entrada franca

Classificação: livre

Acesso para pessoas com deficiência.

Caixa Cultural Rio de Janeiro — Galeria 3
Av. Almirante Barroso, 25 — Centro — Rio de Janeiro
(Metrô e VLT: Estação Carioca)
Tel.: 21  3980-3815